quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Maior emissora de CO2, Amazônia não tem controle sobre gases poluidores


Para especialistas, controle é essencial para execução de políticas.
Governo anunciou meta de reduzir até 38,9% da emissão de gases.

Os estados da Amazônia não têm informações precisas sobre a emissão de gases de efeito estufa, de acordo com informações fornecidas ao G1 pelos governos estaduais.

Segundo estimativa do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, a região emite cerca de 60% do dióxido de carbono (CO2) gerado no país.

Queimadas são um dos principais fatores de emissão de CO2 na região da Amazônia (Foto:
Iberê Thenório/Globo Amazônia)

O CO2 é um dos gases causadores do efeito estufa, que prejudicam o meio ambiente. A Amazônia é uma grande emissora de CO2 por conta do desmatamento e das queimadas. Gases-estufa também estão presentes nas indústrias, na agricultura, na pecuária e na fumaça dos veículos.

O G1 fez um levantamento das ações dos estados da Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão) para redução de emissão de gases poluidores. Desses estados, a reportagem não conseguiu contato com a assessoria do governo do Amapá.

Também consultou governos de estados com áreas de Cerrado (Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Bahia); e alguns dos mais industrializados do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul). A assessoria do estado de Goiás informou que não dispunha dos dados solicitados.

De todos os 17 estados consultados, somente dois afirmaram ter dados sobre a emissão de gases de efeito estufa: São Paulo e Rio de Janeiro, que dizem ter feito inventários sobre a emissão em 2005. Muitos dos demais, têm planos de realizar inventários no próximo ano.

Na maioria dos casos, o único controle sobre os gases de efeito estufa é uma estimativa sobre a emissão de CO2 com base nos dados de queimadas e de desmatamento.

Para os especialistas consultados pelo G1, a falta de informações precisas prejudica a implantação de políticas públicas e a adoção de metas de redução.

Dados Federais
Os dados oficiais mais recentes do governo federal sobre emissão de gases de efeito estufa são de 1994. Uma estimativa foi realizada pelo Ministério do Meio Ambiente recentemente e considera os setores que mais emitem gases.
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Os dados se baseiam no inventário oficial em produção pelo Ministério de Ciência e Tecnologia que deve ser concluído em 2011. Na avaliação do coordenador da campanha de clima do Greenpeace, João Talocchi, "não se tem ideia" precisa "do tamanho do problema".
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"Às vezes essas metas essas metas são políticas, mas não se tem ideia de quanto significa ou como fazer essa redução."Para Talocchi, o controle por parte do governo é "muito importante". "Tem de controlar chaminés, carros e podem controlar com mais facilidade a emissão se adotarem desmatamento zero.
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Não significa evitar a derrubada de toda e qualquer árvore, mas ter subsídios para investir na educação ambiental. Quando entender o que tem para fazer, pode trazer benefícios para o país.
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" Secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor do Coppe, Luiz Pinguelli Rosa, disse que o governo consegue ter uma estimativa com base no desmatamento da Amazônia e que a região mais complexa de se obter dados é o Cerrado.
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"A maior contribuição do país para emissão é o desmatamento, não a indústria. Dados de 2004 apontam que a Amazônia representava 75% da emissão de CO2.
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A proporção deve ter diminuído, porque houve diminuição do desmatamento e incremento da atividade industrial. Mas a Amazônia ainda deve representar 60% das emissões", estima Pinguelli. Para Pinguelli, o controle das emissões por parte dos estados poderia contribuir para melhorar as ações ambientais.
Desmatamento


O controle do desmatamento é apontado como a principal ação dos governos para a redução das emissões de gases.

Dados divulgados na quinta (12) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revelam uma redução de 45% no desmatamento registrado nos estados que integram a Amazônia Legal. A margem de erro é de 10%, e os números finais devem ser consolidados em março do próximo ano.

No Mato Grosso, o acompanhamento do desmatamento é a forma para contribuir para redução da emissão, segundo Salatiel Alves de Araújo, secretário-adjunto de Qualidade Ambiental. "Formamos um Fórum de Mudanças Climáticas e estamos efetuando levantamento. Mas a correlação entre o que é desmatado e o que é emitido de CO2 é usado para nossa estimativa de emissões."

Na Bahia, o estado está em fase de conclusão de licitação para um zoneamento econômico ecológico para identificar, entre outras coisas, os locais de maior emissão de gases de efeito estufa.

"Como não temos diagnosticado o que está sendo emitido, fica difícil estabelecer uma meta de redução. Como não temos série histórica do número de emissão dos últimos anos, não sabemos quais setores tiveram mais incremento. (...) Mas temos plano com uma série de ações, como avaliar toda matriz energética do estado", afirmou o secretário de Meio Ambiente da Bahia, Juliano Matos.

Em Rondônia, o acompanhamento da emissão de gases de forma global não é feito por conta do alto custo. "Desejamos reduzir o índice de desmatamentos e queimadas, que mais contribuem para emissão. (...) Além disso, temos termoelétricas, cerâmicas, mas o valor de emissão dos setores não é tão significativo que compense o acompanhamento porque são equipamentos caros", disse o engenheiro Arquimedes Ernesto Longo, da Secretaria de estado do Meio Ambiente.

O assessor técnico Cláudio Flores, da secretaria de Meio Ambiente do governo do Pará, concorda que há falta de informações precisas sobre emissão de gases, mas afirma que os estados da Amazônia estão "no rumo certo".

"Na Amazônia Legal temos realidade muito específica ligada a derrubada da floresta e a meta se refere à redução do desmatamento, que leva a redução da emissão de gases."

Flores afirmou que há acordo entre o Fórum de Governadores da Amazônia e cidades norte-americanas sobre redução de emissão de gases causadores do efeito estufa. "É claro que a Califórnia, em função do poder econômico, tem mais ferramenta e tecnologia para calcular a emissão. Mas estamos trabalhando para ter condições de conhecer exatamente qual é nossa situação ambiental."

Celebridades se juntam em prol da COP15

A campanha Tck, Tck, Tck lançou um vídeo que conta com 60 músicos e estrelas do cinema, cantando “Beds Are Burning” para dar maior visibilidade a Conferência em Copenhague (COP15), em dezembro, onde líderes do mundo inteiro se reunirão com a pretensão de criar um novo acordo climático.

“Como podemos dançar se o mundo está virando? Como podemos dormir se a nossa cama está queimando?” Esses são os pontos questionados na letra da música.

Entre os artistas estão Lily Allen, Jamie Cullum, Fergie, Milla Jovovich, Manu Katche e Bob Geldof. O vídeo é também pretende incentivar a sociedade a se organizar, se informar e a partir disso tornar o mundo um lugar melhor. A música, assim como o vídeo estão disponíveis no site da campanha.

“Cada download” diz o site “mostra que as pessoas estão prontas para um ambicioso, justo e fundamental acordo climático em Copenhague em dezembro”.

Será que isso ocorreu?

G1 - Globo.Com

14/11/09 - 07h15

Beds Are Burning - 'TckTckTck - Time for Climate Justice' Campaign




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