terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Estudantes vão de bicicleta para Ushuaia, na Patagônia


Objetivo foi conhecer unidades de conservação e práticas de sustentabilidade

Elida Oliveira - Especial para o Estadão.edu

“Quien no conoce el bosque del sur de Chile, no conoce este planeta”, escreveu o poeta Pablo Neruda no livro de memórias Confesso que vivi, de 1974. Instigados por imagens de vulcões, lagos e um emaranhados verdes descritos pelo autor chileno, um grupo de estudantes-ciclistas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) planejou uma expedição pelo país espremido entre os Andes e o Pacífico. O meio de transporte? Bicicletas.

As férias de Maurício Faraon, de 25 anos, estudante de Engenharia de Produção; Rafael Pereira, de 23 anos, de Administração de Empresas; Renan Leite dos Santos, de 23 anos, de Geografia; Leonardo Sanches Lima, de 29 anos, pós-graduando em Engenharia Mecânica; Daniel Ferreira, 24, aluno em Engenharia Sanitária e Ambiental; e o cinegrafista e designer gráfico Alexandre Brandão, de 31 anos, foram de pedaladas e aprendizagem sobre unidades de conservação e práticas de sustentabilidade. Os alunos-ciclistas, que percorreram trajetos entre Buenos Aires e Ushuaia, devem chegar esta semana de volta a Florianópolis.

O projeto, chamado EcoAustral2010, está vinculado ao Núcleo de Estudos Ambientais da UFSC (Neamb), que presta consultoria para a implantação de uma unidade de conservação na região de Itapema (SC). “Queremos divulgar na universidade as práticas que estão acontecendo no Chile”, explica Maurício. “Por sermos um grupo multidisciplinar, cada um verá um ponto diferente nas unidades em que passarmos.”

Veja dicas na internet:

Download do e-book Confess que vivi, do poeta Pablo Neruda (1974)
Blogs do projeto EcoAustral2010:
http://www.ecoaustral2010.wordpress.com/ e http://www.ecoaustral2010.ufsc.br/

Tudo está sendo devidamente documentado em foto e vídeo, que serão depois expostos no Brasil. De acordo com Maurício, o intuito é conhecer práticas de manejo, gestão e os recursos empregados para mantê-las. Eles defendem que as bicicletas são a melhor maneira de conhecer unidades de conservação por não serem poluentes e possibilitarem um contato mais próximo entre viajantes e natureza.

Para Rafael Pereira, o que o motiva é a viagem em si e o que verá de diferente. “Quero ir ao extremo do continente e conhecer a situação dos parques nacionais de proteção ambiental”, diz. Aos 23 anos, esta é a primeira expedição da qual participa. “Fiquei impressionado pela hospitalidade dos argentinos e com as belezas naturais da Patagônia.”

O estudante de Geografia Renan dos Santos aproveitou para estudar o clima. “É uma parte importante da viagem que, se não planejada, pode ser um empecilho. No primeiro dia pedalamos por longos períodos montanha acima, com vento, chuva e frio (próximo a 5 graus). A preparação é fundamental.”

Leonardo Sanches, mestrando em dinâmica veicular sobre duas rodas, aproveita para ver na prática o que conhece a teoria. “As situações mecanicamente inusitadas, o planejamento logístico e o convívio social são as três frentes que me fazem aprender mais durante a viagem.”

Tudo está sendo devidamente documentado em foto e vídeo, que serão depois expostos no Brasil.

De acordo com Maurício, o intuito é conhecer práticas de manejo, gestão e os recursos empregados para mantê-las. Eles defendem que as bicicletas são a melhor maneira de conhecer unidades de conservação por não serem poluentes e possibilitarem um contato mais próximo entre viajantes e natureza.

Durante a expedição, o grupo entrará em contato com o projeto Santiago en Bicicleta, da cidade de Santiago, no Chile, iniciativa que pretende triplicar a malha cicloviária da cidade. O cronograma começou em outubro, com a definição dos objetivos e planejamento do roteiro. Em novembro, foi feito o levantamento de equipamento e a previsão de custos da viagem. No mês seguinte, buscaram patrocínio, contataram parques e reservas, organizaram os equipamentos e fizeram o itinerário. O fim da viagem está previsto para a segunda quinzena de fevereiro, quando será feita uma mostra fotográfica e a finalização do documentário.

Os viajantes dizem o que é imprescindível em uma expedição. Confira:

Nas bikes:

- Bicicletas com quadros com rosca: ideais para a troca de pneus sem retirada do bagageiro

- Alforges: bagageiros impermeáveis e reforçados

- Manter a bagagem o mais próximo possível do solo: isso favorece a estabilidade e a dirigibilidade da bicicleta

- Fitas antifuros nos pneus: garantem maior durabilidade

No trajeto:

- Ônibus: confira com antecedência se os ônibus utilizados possuem bagageiros amplos, que caibam as bicicletas.

No camping:

- Barracas: devem ser impermeáveis e leves

No percurso:

- Cartões de visita: com nome e e-mail, ajudam a manter o contato com as pessoas que você for conhecendo na viagem

Lugares para ficar:

- Rio Gallegos: Camping da Associação de Empregados do Comércio, a três quadras da Rodoviária. Custa 10 pesos por pessoa e outros mais 5 pesos por barraca. A cozinha é boa, a área bem cuidada e tem até um campo de futebol

- El Calafate: Camping Los Dos Piños tem uma área ampla para camping, com cozinha e banheiros acessíveis. Custa 20 pesos por pessoa, em barracas

- Rio Grande: Camping e hostel Willie Camping - Clube Nautico. As acomodações são ótimas. A cozinha, já equipada com utensílios, também oferece opção de refeição pronta. Internet, calefacao, mapas e informações da Patagônia.

Estadao.com.br
22-02-2010

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