segunda-feira, 8 de março de 2010

Ousadia - Sonhos do Tempo de Menina



Homenagem para as mulheres tem show e serviço

Hoje é o dia em que as rosas vermelhas se multiplicam junto com a gentileza dos parabéns e paparicos. O Dia Internacional da Mulher tem programação em toda a cidade

08 Mar 2010 - 01h59min

Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Mais do que isso. Hoje o Dia Internacional da Mulher completa 100 anos. Foi em 1910, durante a primeira conferência internacional de mulheres, realizada em Copenhague pela Internacional Socialista, que o 8 de março foi escolhido para virar o dia símbolo da luta por igualdade e independência das mulheres.

A data remete ao 8 de março de 1857, quando operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque protestaram por salários iguais aos dos homens e jornadas mais justas. Acabaram trancadas na fábrica que foi incendiada. Mais de cem mulheres morreram covardemente. Em 1910 a data foi escolhida, mas somente em 1975 a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou um decretou oficializando a homenagem.

Hoje e no decorrer da semana, postos de saúde, shoppings, secretarias de governo e movimentos sociais comemoram o dia, refletindo sobre os desafios que ainda persistem, como os salários mais baixos do que o dos homens e as jornadas duplas, acumulando trabalho e família, e paparicando um pouco esse sexo frágil que de frágil não tem nada.

Show

A maior celebração deve ser a de hoje à noite promovida pela Prefeitura de Fortaleza na Praça do Ferreira. Os shows de Mona Gadelha e Zélia Duncan convidam para curtir em plena segunda-feira. Algumas palestras e debates relevantes vão acontecer durante o dia em diversos órgãos e entidades, do Conselho Regional de Contabilidade à Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social.

Muitos serviços também serão ofertados gratuitamente. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, vai emitir e regularizar CPFs femininos sem cobrar nada durante toda semana. Já a Defensoria Pública do Estado realiza um mutirão de atendimento no Instituto Penal Feminino Desembargador Auri Moura Costa. Essa é uma das ações da segunda ``Semana de Conscientização dos Direitos da Mulher Encarcerada`` que tem outras atividades até sexta-feira.

Sonhos de Menina

Neste Dia Internacional da Mulher, O POVO exalta aquelas que, mesmo depois de certa idade, não deixaram os sonhos se perderem. Assumem desafios e compartilham novas experiências.

Ela estava apenas acompanhando a filha na primeira aula de teatro, na Casa da Comédia. Cada aluno fazia a leitura de um texto dramático. Ao fim da apresentação da filha, o professor lhe apontou: agora é sua vez. Nunca havia se imaginado fazendo teatro. Com 58 anos, a professora aposentada Lourdes Simões de Andrade resistiu num primeiro momento, mas acabou participando do faz-de-conta. A filha desistiu das aulas de teatro e ela continuou. ``Eu me senti tão empolgada! Identifiquei-me e fiquei``, decidiu.

Foi estudando os textos, entonações de voz, expressão corporal e até já encenou diante de um público. ``São pequenas apresentações, mas lotam. A gente fica meio emocionada, mas chega lá e se solta``, diz Lourdes. Hoje com 60 anos, ela é apenas um exemplo entre tantas mulheres que têm assumido novos desafios e experiências, que, não importa a idade, fazem bem para a mente e para o coração. Neste Dia Internacional da Mulher, O POVO dedica a elas uma homenagem.

Com o teatro, Lourdes foi se tornando mais extrovertida, fazendo novas amizades. ``No teatro aprendi lições para a vida. É muito bom se apresentar, levar alegria aos outros, ser aplaudida, faz bem para a autoestima. A gente se sente acolhida por crianças, idosos, por todos``, diz Lourdes, que quer ser palhaço, voltar a ser criança, despertar muitos sorrisos.

Inglês e Piano

Num outro ponto da cidade, na sala de casa, a bibliotecária aposentada Maria Claudia Freitas Cavalcante, 56, tem aulas de piano. Há apenas oito meses, começou a dedilhar as teclas que, na manhã da última quinta, tocava um tango. ``Quando eu era adolescente, minha mãe me colocou para aprender inglês e piano, mas eu não tinha tanto interesse. Casei, tive filhos e sempre dizia que quando me aposentasse ia voltar a fazer essas duas coisas``, lembra.

E resolveu também aprender inglês. Imagina os dias em que, mais segura, vai receber os amigos e tocar uma canção para eles. O dia de viajar para visitar a filha que mora nos Estados Unidos, sem depender de intérpretes. Não é fácil. Mesmo assim, encara os desafios com a tranquilidade.

``O inglês é uma necessidade. Nem sempre meu marido, que fala inglês, pode viajar comigo. Já o piano é uma alegria. Quando eu toco, relaxo completamente. É interessante, fico alegre, me dá prazer``. Embora erre alguns exercícios do piano e não domine ainda o vocabulário do inglês, persiste. ``Eu não estou sozinha. Há muitas mulheres que, assim como eu, buscam desafios e atividades diferentes``, reconhece.


O Povo Online

08 Mar 2010 - 01h59min

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