segunda-feira, 26 de abril de 2010

Investigadores revelam o que ler pelo menos uma vez na vida

O debate reuniu José Xavier, Miguel Castelo Branco, João Fernandes, Ana Noronha (moderadora),
Carlota Simões e David Marçal (Clique para ampliar)


Ciência Viva e Fnac no Dia Internacional do Livro

2010-04-24
Por Susana Lage (texto e fotos)

No Dia Internacional do Livro, que se comemorou ontem, cinco investigadores reuniram-se em Lisboa, no Centro Comercial Vasco da Gama, para partilharem os seus livros científicos preferidos.

José Xavier, investigador do Instituto do Mar da Universidade de Coimbra, apresentou dois livros “que tiveram um impacto bastante grande e que são complementares”, como o próprio descreve.

“Um é de Kary Mullis e chama-se ‘Dancing naked in the mind field’. O que é excelente neste livro é ser muito fácil de ler,. Ficamos motivados para fazer ciência e mudou a minha percepção de fazer ciência. Esta pode ser fácil, faz-nos questionar e sermos curiosos acerca das coisas”, explica o cientista polar.


Uma das escolhas do investigador José Xavier foi um livro da colecção Uma Aventura


O outro livro apresentado pelo investigador foi ‘Uma Aventura em Alto Mar’, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. “Leva-nos a uma área do planeta a que nunca pensámos chegar e diz o que é que é verdade na aventura. Isto é, revela que a história foi baseada em cientistas portugueses ‘de carne e osso’”, explica.

‘Proust era um neurocientista’, de Jonah Lehrer, foi a obra partilhada por Miguel Castelo Branco. Segundo o cientista, “é um livro muito engraçado porque fala da dicotomia entre a arte e a ciência e aborda a questão se as duas coisas são compatíveis”.


Miguel Castelo Branco revelou o entusiasmo por Proust


Mesmo não concordando com tudo o que o livro descreve, o investigador sublinha:“Põe-nos a pensar muito e uma das grandes mensagens que transmite é que os artistas têm uma intuição sobre a realidade que muitas vezes antecipa aquilo que se descobre nas neurociências”.

João Fernandes descreve como “violento” o livro que apresentou. “Eu levei um murro”, revela o investigador do Observatório Astronómico de Coimbra. “E trago-o aqui por razões pessoais”, acrescenta. A obra ‘Um Pouco Mais de Azul’, de Hubert Reeves, representou para o astrónomo uma série de descobertas. “Percebi bem a escala do Universo através de uma imagem do livro. Depois descobri que a astronomia era muito interessante porque há coisas que não podemos tocar. A astronomia vive muito da luz que nos chega dos objectos”, exemplifica.

O investigador João Fernandes recomendou um livro que lhe ajudou a conhecer o Universo


Outro aspecto que João Fernandes sublinhou foi a descoberta de que as pequenas coisas são fundamentais, mesmo num extenso e vasto Universo. “Se pensarmos que foi graças a elementos químicos simples que o Universo evoluiu, percebemos também a importância das pequenas coisas”.

O livro ‘Sidereus Nuncius’, traduzido por ‘O Mensageiro das Estrelas’, foi recomendado por Carlota Simões, investigadora do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra. A também pianista apresentou cinco razões que tornam imprescindível a leitura desta obra de Galileu. “Acho que este é o primeiro livro de divulgação científica de sempre e que inicia o método científico”, afirma a cientista.

Carlota Simões recomendou um livro com 400 anos que ainda hoje se mantém actual


“A segunda razão é porque tem 400 anos mas só agora foi traduzido para português”. O terceiro motivo prende-se com o facto do livro ser “uma estreia também no cinema porque Galileu acompanha as suas observações com ilustrações”. Este é “o primeiro livro interdisciplinar entre arte e ciência uma vez que Galileu era cientista e dominava a arte da aguarela e do desenho”. Por fim, a quinta razão “é que apesar de ter 400 anos é completamente actual”.

David Marçal, investigador e autor de humor científico, partilhou com o público “O Sistema Periódico”, escrito por Primo Levi. Este livro é uma colecção de pequenas histórias, a maioria episódios de vida do escritor, e todos estão relacionados, de algum modo, aos elementos químicos.

O químico David Marçal partilhou as passagens preferidas da obra Primo Levi


“O Primo Levi, além de ser cientista é um autor reconhecido pelo seu valor literário”, afirma David Marçal. De acordo com o cientista, “é importante perceber que o nosso conhecimento pode-nos permitir trabalhar em muitas áreas e o Primo Levi conseguiu trabalhar tanto na indústria extractiva de minérios como na investigação biomédica e outros variados sectores de actividade.”

Ciência Hoje
26-04-2010


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