quarta-feira, 7 de abril de 2010

Temporal mata ao menos 89 no Rio de Janeiro e para capital




RIO DE JANEIRO (Reuters) - A chuva que atinge o Rio de Janeiro pelo segundo dia seguido nesta terça-feira deixou ao menos 89 mortos no Estado, informou o Corpo de Bombeiros.

"Há pessoas soterradas e desaparecidas. O Corpo de Bombeiros está revirando terras e escombros em muitos locais e o trabalho é árduo. Como voltou a chover, estamos abrindo nossos frontes de trabalho", disse o sargento Lúcio, do Corpo de Bombeiros.
A maioria das mortes, 40, aconteceu em Niterói, disseram os bombeiros, acrescentando que na capital houve 36 vítimas fatais. Outras cidades afetadas foram São Gonçalo e Nilópolis.

Na capital fluminense, as aulas foram canceladas e a população foi orientada a permanecer em casa e deixar áreas de risco. Foram registrados pelo menos 180 deslizamentos e há ainda muitos desaparecidos.

A chuva é considerada a mais intensa já registrada na cidade nas últimas décadas, e a previsão é de que permaneça durante todo o dia. Muitas pessoas não conseguiram retornar para suas casas na segunda-feira, pois o transporte público foi afetado devido às áreas de alagamento em diversas partes da capital e região metropolitana.

O trânsito ficou caótico.

"A situação é crítica. São vias muito alagadas e paradas. A orientação para as pessoas é que não saiam de casa e evitem deslocamentos", disse por telefone à Reuters o prefeito Eduardo Paes (PMDB), na manhã desta terça.

Numa entrevista coletiva posterior, o prefeito informou que em menos de 24 horas choveu em média 288 milímetros na cidade, e que havia pelo menos 10 mil residências em locais de risco, principalmente em morros e favelas.

"É a maior chuva das grandes tragédias da história do Rio de Janeiro", acrescentou.
De acordo com o instituto de meteorologia Climatempo, num período de 12 horas entre segunda e terça-feira choveu o que estava previsto para todo o mês de abril.

ALAGAMENTOS

Imagens de televisão mostraram nesta terça-feira que a Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul, transbordou e inundou as pistas em seu entorno. A Praça da Bandeira, na região central, alagou logo no início do temporal na segunda-feira e diversos carros que estavam no local ou que tentavam cruzar a região ficaram submersos. Muitos veículos foram abandonados.

No final da manhã de terça, o nível da água baixou na Praça da Bandeira e funcionários da prefeitura trabalhavam para retirar a lama do local.
A rua Jardim Botânico, na zona sul, e vias adjacentes também estavam alagadas. Em Copacabana, moradores saíam para o trabalho na manhã de terça-feira caminhando com água na altura das canelas nas principais ruas do bairro.

Equipes de apoio e resgate da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros encontravam dificuldades para chegar a locais de maior risco. Havia várias informações de deslizamentos de terra em toda a capital fluminense.
A ponte Rio-Niterói e os aeroportos operavam de forma precária na manhã desta terça.

VOLTA PARA CASA

Trabalhadores passaram horas dentro de ônibus na noite de segunda-feira sem conseguir voltar para casa devido a alagamentos. Pontos de ônibus ficaram abarrotados de pessoas que não tiveram transporte durante toda a madrugada. E a situação se repetiu na manhã de terça.

"Está tudo parado há muitas horas. Demorei horas para pegar um ônibus aqui na Baixada Fluminense, e quando acessamos a ponte, parou de vez. Já liguei para o meu patrão e avisei que hoje não dá para trabalhar", disse por telefone a faxineira Zumira Santos.

Diante da forte chuva que persistia no início da manhã, as aulas nas escolas das redes públicas do Rio foram suspensas nesta terça-feira.
O temporal também derrubou árvores e comprometeu o fornecimento de energia em vários pontos da cidade. O Tribunal de Justiça do Estado teve que cancelar as audiências marcadas para os fóruns da cidade. Outros órgãos públicos suspenderam os serviços.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita ao Rio de Janeiro, cancelou a agenda prevista ao Complexo do Alemão, onde inauguraria obras do Programa de Aceleração do Crescimento na comunidade.


"As enchentes atingem sempre as pessoas que moram em locais pobres, em locais inadequados", disse Lula a jornalistas no Rio, antes de participar de evento na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

"Temos que esperar passar a chuva para cuidar das pessoas", acrescentou o presidente, que ofereceu ajuda por telefone ao prefeito Eduardo Paes e ao governador do Rio, Sérgio Cabral.

(Reportagem adicional de Pedro Fonseca


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