quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Contagem da população é mais difícil entre a 'classe A', diz IBGE

Confira o percentual da população recenseada por estado, segundo o IBGE.
Rio Grande do Sul, Amazonas, Pernambuco e São Paulo têm piores índices.


Nathália Duarte
Do G1, em São Paulo



Com pouco mais de 50 dias de Censo 2010, 76% da população brasileira já foi recenseada – o que equivale a 146.183.918 pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas, apesar de considerado “bom”, o índice não segue a mesma média em todo o país.

Os estados do Rio Grande do Sul, Amazonas, Pernambuco e São Paulo têm os piores índices (veja tabela ao lado), por razões diversas. A coleta de dados para o Censo 2010 começou em 1º de agosto e segue até 31 de outubro. No início eram quase 192 mil recenseadores. Hoje, são pouco mais de 179 mil.

“Temos mais dificuldade para encontrar recenseadores em grandes municípios, porque há alto nível de empregabilidade da população. Em São Paulo, há ainda a dificuldade da desistência de recenseadores", diz ao G1 Maria Vilma Salles Garcia, coordenadora operacional dos Censos, do IBGE.

O baixo índice de coleta em São Paulo já era esperado, segundo o IBGE. Além da falta de recenseadores, outra grande dificuldade é com a população de classes mais altas. “As pessoas pensam, geralmente, que as áreas mais difíceis de serem recenseadas são as favelas, periferias, mas isso não é verdade. A população de alto poder aquisitivo, que mora em condomínios de luxo, é a mais difícil de ser contabilizada. Isso porque as pessoas resistem mais a dar informações, e muitas vezes nem sequer são encontradas, conseguimos falar apenas com empregados. Nessa situação, muitos recenseadores desistem", afirma a coordenadora.

A violência também é causa de transtornos para os recenseadores, mas, segundo Maria Vilma, ela aparece em casos pontuais. “Em áreas de risco já ocorreram, por exemplo, roubos dos PDA’s [computadores de mão usados para coleta de dados] e de outros objetos dos recenseadores, como no Pará e no Distrito Federal, mas isso não acontece com frequência. Em regiões de favelas, contratamos moradores das próprias comunidades para coletar os dados de domicílios da região”, afirma.

G1
23-09-2010

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