quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Odiar é Também Uma Forma de Amar - Pe. Fábio de Melo


Odiar é também uma forma de amar. Diferente, mas é. É que o coração humano nem sempre consegue identificar o sentimento que o move. É claro que existem situações em que o ódio é ódio mesmo, mas, em outras, não.

Você já deve ter experimentado isso que estou dizendo. Sobretudo no momento em que foi traído, enganado e até mesmo abandonado. O sentimento foi de revolta e, nela, o amor muda de cor, configura-se diferente. É a mesma coisa que acontece com os animais que se camuflam para sobreviverem às ameaças dos inimigos. O camaleão é sempre camaleão, mesmo que não possamos identificá-lo no seu disfarce. Da mesma forma fazemos nós.

Quando temos o nosso amor traído, ameaçado pelo descaso do outro, nós nos revestimos de ódio e ressentimentos. Mas a fonte é sempre o amor. Ele é o referencial de onde parte a nossa reação. Nem sempre temos coragem de assumir isso. A traição nos trava para a misericórdia. E, então, sentimos necessidade de devolver a ofensa com a mesma moeda.

Por isso, dizemos que odiamos. Mas só o dizemos, porque o que nos falta é coragem para dizer que amamos.

Camuflados e infelizes

Camuflar é o recurso que usamos com o objetivo de nos justificarmos diante dos outros. É uma forma que temos de nos sentir menos humilhados. Não raras vezes, dizer que temos ódio é uma maneira de tentar dar a volta por cima. Estranho isso, mas acontece.
.
Talvez seja por isso que as pessoas andam tão distantes dos seus verdadeiros sentimentos. Tememos a fraqueza. Tememos que o outro nos flagre no sofrimento que a gratuidade do amor nos trouxe. Preferimos assumir uma postura marcada pela agressividade a outra que nos mostrasse em nossa fragilidade.

Nos dias de hoje, cada vez mais, acentua-se a necessidade de ser forte. Mas não há uma fórmula mágica que nos faça chegar à força sem que antes tenhamos provado a fraqueza. E amar é experimentar a fraqueza. É provar o doloroso campo da necessidade, da carência e da fragilidade.

Amar é uma forma de depender, de carecer e de implorar. É uma forma de preenchimento de lacunas, visto que o amor é a melhor forma de complementar os espaços.

Admirável desconcerto

Quem ama sabe disso. Quem é amado, também. A gratuidade do amor consiste nisso. Amar quando o outro não merece ser amado. Surpresa maior não há. Ser abraçado no momento em que sabemos não merecer ser perdoados.

O amor verdadeiro desconcerta. O perdão e a reconciliação são a prova disso. Somente depois de dizermos infinitas vezes “Eu te perdôo” , é que temos o direito de dizer “ Eu te amo”. Porque, antes do perdão, o que existe é admiração. Esse último sentimento não é o mesmo que amar.

Só amamos aqueles a quem perdoamos. E, geralmente, só odiamos aos que amamos, caso contrário seríamos indiferentes.

Pena que tem sido cada vez mais difícil declarar amor no momento em que o outro não merece. Não temos coragem de tomar essa atitude, porque ela é chamada de fraqueza, coração mole. E, por medo de sermos vistos assim, camuflamos o amor com as roupas do ódio.

Perdemos a oportunidade de atualizar a gratuidade do amor de Deus na precariedade do amor humano e de surpreender o outro com nosso gesto já transformado pela graça divina.

Na sua vida, não tenha medo de ser fraco, já que a fraqueza representa capacidade de amar. Quando o outro, pelas mais diversas razões esperar pelo seu ódio, surpreenda-o com o seu amor.

Desconcerte-o e, assim, você ajudará a consertar o mundo.

Pe. Fábio de Melo



Clipe Pe Fabio de Melo NÃO DESISTA DO AMOR

2 comentários:

Bottary disse...

Amiga Mazé,

Entendo que, amando ou odiando estamos no caminho certo, pois quando Jesus disse que: "Conhecereis a Verdade e a ela vos libertará", quiz dizer exatamente isso, ou seja, vamos experimentar de tudo que existe de bom e de ruim neste planeta Terra.

Assim, quando conhecermos verdadeiramente o ódio, somente assim vamos valorizar o Amor; e, neste caso nem vamos ter a necessidade de pedir perdão a ninguém que a gente ama, pois somente faremos o Bem, a ele ou ela.

Odiar é também uma forma de amar!
Concordo em gênero, número e grau.

Abraços!
Bottary

Mazé Silva disse...

Meu querido amigo Bottary! Você apareceu? Que coisa boa!

Já estava com uma saudade danada de você menino! Ehehehehe.

Não fuja de mim, que vou atrás de ti em qualquer lugar, viu? Ehehe

Bottary, você é mesmo um sábio nesses assuntos e pra debater com você é muito bom, pois nos dar margem para entendermos melhor o que a matéria está mostrando.

Concordo com o que dissestes, que em nossa vida cotidiana vivemos diferentes momentos de experiências, dentre eles estará as coisas boas e ruins. Isso é verdade.

Que bom que você concordou com a matéria e comigo! Ehehehehe. Sempre falo que o amor, caminha lado a lado com o ódio, pois quando se ama intensamente, você é levado a odiar por motivos deixados pelo outro e se o mesmo reconhecer que errou logo em seguida acontece o perdão de ambas as partes, é assim que entendo querido Bottary.

Valeu por sua vinda e pelo seu valioso comentário.

Volta, Bottary! Estou com saudades de você menino!

Beijos e abraços da amiga que muito lhe quer bem!

Mazé Silva