quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Portugal vende 1,25 bilhão de euros em títulos em 'teste' para evitar ajuda

Existem especulações de que Portugal possa receber ajuda internacional


Portugal vendeu nesta quarta-feira cerca de 1,25 bilhão de euros (R$ 2,7 bilhões) em um leilão de títulos públicos, reduzindo os temores de que o país tenha que receber um pacote de ajuda da União Europeia.

A operação foi acompanhada de perto por analistas de mercado, devido às dúvidas sobre se o país conseguiria atrair interesse suficiente para seus papeis devido ao seu grau de endividamento.

O leilão organizado pelo Instituto de Gestão do Crédito Público conseguiu levantar 599 milhões de euros em títulos com vencimento em dez anos, a uma taxa de juros de 6,716%, e 650 milhões em títulos de quatro anos a uma taxa de retorno de 5,386%.

A taxa dos títulos de mais longo prazo foi inferior à expectativa do mercado, que era de algo em torno de 7%, e também menor que os 6,806% obtidos no último leilão do tipo, em novembro.

Para os títulos de quatro anos, porém, a taxa ficou bem acima dos 4,041% conseguidos em novembro.

Segundo os analistas, a compra de títulos portugueses pelo Banco Central Europeu (BCE) ajudou a manter os juros dos títulos portugueses de longo prazo abaixo dos 7%.

Ajuda internacional

O jornal português Expresso afirma que o governo do país conseguiu passar em um teste decisivo em um dia em que o jornal Financial Times alemão noticiou que a União Europeia já preparava um plano de ajuda de 100 bilhões de euros para Portugal.

Há meses economistas cogitam que Portugal tenha que se juntar à Grécia e Irlanda e precisar de um pacote de ajuda, algo que o governo do país nega.
O governo português afirma que sua situação é diferente da situação grega e da irlandesa, dois países que aceitaram ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os portugueses afirmam que seu déficit e suas dívidas são mais baixos do que os dos outros dois países e que seu sistema bancário é seguro.

A Comissão Europeia afirmou que não há discussões ou planos para um pacote de ajuda da União Europeia e do FMI para Portugal.
No entanto, alguns analistas ainda acreditam que o país vai precisar de ajuda.

"Nossos analistas ainda preveem que Portugal precisará receber fundos", afirmou Kevin Dunning, economista da consultoria Economist Intelligence Unit.

"E há também um alto risco, caso os juros cobrados naqueles fundos forem tão altos como (os cobrados da) Irlanda, de que os esforços de Portugal para reduzir seu déficit orçamentário sejam desacelerados", acrescentou.

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