quarta-feira, 12 de maio de 2010

Praga de rãs causa pânico na China por medo de terramoto


Segunda invasão de rãs em menos de uma semana assusta chineses


Investigadores ingleses publicam estudo onde garantem que os sapos podem prever sismos

Por Bárbara Gouveia

Duas invasões de rãs em menos de uma semana foram suficientes para causar o pânico na China. Segundo um jornal de Pequim, os chineses acreditam que as migrações destes anfíbios precedem um movimento de terras.

A última praga aconteceu perto de um lago no distrito de Jiangnin, na cidade de Nankín, quando cem mil rãs de menos de dois centímetros de comprimento invadiram as ruas, dirigindo-se em grupo na mesma direcção.

No passado 5 de Maio, outra invasão: dez mil rãs na província de Sichuan, onde se registou o sismo de 2008, provocaram um alarme idêntico na população.

Antes do tremor de terra de há dois anos, que causou 87 mil mortos e desaparecidos, houve uma migração de anfíbios muito semelhante a esta.

Os especialistas e sismólogos já negaram esta relação e estão a acalmar a população. Yang Jianjun, responsável pela administração local de sismologia, explica que é verdade que antes de um terramoto certos animais podem mostrar um comportamento estranho, mas que esses comportamentos nem sempre precedem um terramoto.

As rotas das rãs

Outro especialista, Gao Guofu, da Academia de Ciências Biológicas de Nankín, acrescenta que se trata apenas de um fenómeno natural: “Há dois dias que chove, o ar está fresco e solarengo, é uma boa altura para as rãs que necessitem de migrar saiam”. Guofu acrescenta ainda que as rãs necessitam de migrar, quando terminam a fase de girinos, para procurar um novo habitat com alimentos.



José Teixeira, investigador CIBIO


José Teixeira, investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO), explica que “por norma as rãs e os sapos migram no inicio da reprodução para os ambientes aquáticos e são animais com grande fidelidade ao local onde nascem”, ou seja, no fim da época de reprodução fazem o percurso inverso.

Questionado pelo Ciência Hoje acerca dos comportamentos estranhos que as rãs podem adoptar como consequência ou coincidência da precedência de um terramoto, o cientista do CIBIO explica que “as migrações não costumam são massivas. As rãs só saem no fim da reprodução e desfasadas”.

Sapos desaparecem em L'Aquila

No entanto, existem precedentes de um comportamento estranho dos anfíbios antes de um terramoto. Segundo investigadores ingleses, os sapos comuns (Bufo bufo) abandonaram a zona do lago de San Ruffino, próximo de L’Aquila, em Itália, dias antes do terramoto de 6 de Abril do ano passado, de 5.8 graus na escala de Richter, em que se registaram 294 mortos e 1500 feridos.



Rachel Grant, da Open University


Rachel Grant, da Open University e Tim Halliday de Oxford garantem que “os sapos comuns são capazes de pressentir eventos sísmicos importantes e de adaptar o seu comportamento”.

Cinco dias antes do tremor, o número de sapos machos presentes no local de reprodução brutalmente reduziu-se em 96 por cento, um comportamento "altamente incomum" para esses anfíbios, segundo o estudo publicado no "Journal of Zoology".

Facto ou coincidência

José Teixeira admite que “é possível haver coincidências” mas realça, tendo em conta que já se registaram fenómenos semelhantes em diferentes sítios, que “há fortes indícios de mais um grupo que pode prever sismos”.

O investigador do CIBIO recorda que há vários animais conhecidos por possuírem esta capacidade − as toupeiras, as cobras, os ratos ou os cães podem ficar mais agitados ao sentirem as primeiras ondas sísmicas que precedem um terramoto.

Ciência Hoje
11-05-2010

Um comentário:

Carmen Augusta disse...

Oi Maninho!

Achei interessante essa reportagens sobre as rãs.
Já tinha lido, e visto foto delas chegando aos bandos.
Ainda bem que estamos bem longe...
Credo, não passaria ali por nada...

Parabéns à você e Mazé, o Elo Geográfico está muito bonito e com trportagens muito interessantes.

Beijos,
Carmen Augusta